





Quando o produtor de Profundezas, Jesse McKeown, decidiu contar uma história trágica sobre uma lula gigante, ele foi atrás de Annie Mercier, bióloga marinha do Ocean Sciences Centre, em Newfoundland, para que ela averiguasse os fatos.
Annie Mercier recebeu o roteiro da minissérie já disponível na Netflix, que segue um pescador chamado Calvin Penney (Josh Hartnett), morador de uma cidade pequena que está sendo atacada por um cefalópode agressivo. Enquanto Calvin e a bióloga marinha local Fonda Howander (Mackenzie Davis) correm contra o tempo para dar um fim ao perigo, eles descobrem segredos surpreendentes sobre a criatura, carinhosamente apelidada de Mãe.
Lulas gigantes existem de verdade, conforme contou ao Tudum a bióloga Annie Mercier, que serviu de inspiração para a personagem Fonda. Elas têm de 10 a 15 metros de comprimento e os maiores olhos da natureza: “Quando encontramos os restos de cefalópodes, eles já sofreram um pouco de decomposição, então provavelmente eram ainda maiores enquanto estavam vivos”.

Essas criaturas são ótimas em se esconder e vivem muito abaixo da superfície, por isso são bem difíceis de estudar. Nos últimos anos, cientistas prenderam câmeras a baleias cachalotes, predadoras de cefalópodes, para capturar imagens desses animais. Surgiram muitas lendas urbanas relacionadas a lulas gigantes, incluindo um suposto ataque a um navio de transporte de tropas da Segunda Guerra Mundial. Annie Mercier diz que isso é um mistério, então fica por conta da nossa imaginação.
Ao contrário do que acontece em Profundezas, é muito improvável que criaturas das profundezas marinhas saiam do seu habitat para ferir humanos. A bióloga explica: “Elas não têm força no esqueleto para ferir algo acima da água”. Mas o que acontece abaixo da superfície é outra história.
“Na maior parte do tempo, elas são pacíficas, sentem medo e se afastam rapidamente. Mas, em determinadas circunstâncias, como para proteger os filhotes, elas podem acabar sendo mais perigosas.”
Essa natureza protetora condiz com o que o Calvin descobre sobre a Mãe: ela se revolta porque o rápido aquecimento do oceano está colocando em risco sua bolsa de ovos.
Annie Mercier continua: “Os cefalópodes têm estratégias parentais que são muito comoventes. Eles protegem, oxigenam e limpam as bolsas de ovos, a ponto de os pais deixarem de se alimentar. Isso pode durar vários meses, até que os pais acabam morrendo”.
Como a Mãe da série Profundezas, os cefalópodes são criaturas muito inteligentes que têm comportamentos básicos similares aos de humanos: “Eles podem manipular coisas, esconder-se, aprender a usar ferramentas, e alguns até fingem ser animais mais perigosos para evitar predadores”.
Pesquisar cefalópodes fez com que Jesse McKeown se apaixonasse por essas criaturas do fundo da mar: “Fiquei boquiaberto com a inteligências dessas criaturas, elas são diferentes de tudo que temos no mundo. Elas têm um toque trágico, poético”.

Na série, Wade (Charlie Heaton) é atacado por um cefalópode e fica com um ferimento misterioso nas costas. Isso é consistente com o tipo de cicatriz que lulas deixam em baleias cachalotes quando atacadas: “As lulas têm um bico, a única parte rígida do corpo delas, que às vezes usam para arranhar. Algumas baleias cachalotes têm cicatrizes porque interagem com lulas gigantes”, explica Annie Mercier.
Em uma das cenas finais da minissérie, Fonda revela que os filhotes da Mãe não sobreviveram ao aquecimento da água, que está ficando cada vez mais quente.
Altas de temperatura são só um dos aspectos que colocam criaturas marinhas em risco. “Sempre pensamos na temperatura, mas até a própria química da água está diferente por causa das mudanças climáticas. Quando a temperatura está alta, o oxigênio da água fica mais escasso, então diferentes elementos afetam a distribuição e a sobrevivência das criaturas marinhas”, conta Annie Mercier.
Além disso, novas espécies estão sendo extintas antes que possam ser estudadas por biólogos marinhos.
“Cientistas marinhos costumam dizer que sabemos mais sobre o universo, a Lua e Marte do que sobre nossos próprios oceanos. O oceano não é apenas cheio de vida e de potencial para nosso abastecimento de alimentos — ele é o nosso clima. Nós chamamos de planeta Terra, mas faz mais sentido chamar de planeta Oceano”, conclui Annie Mercier.
Os seis episódios de Profundezas já estão disponíveis.

















































