





“Um dos princípios que sempre seguimos é que não seria The Witcher se tudo terminasse em final feliz”, resume a showrunner Lauren Schmidt Hissrich ao Tudum. É o que se vê logo na abertura da temporada 4, com Geralt (Liam Hemsworth), Ciri (Freya Allan) e Yennefer (Anya Chalotra) separados, no início de uma “jornada muito diferente de tudo que já viveram”.
A família continua conectada psiquicamente nesta temporada, mas raramente está reunida. Geralt sai à procura de Ciri e ganha a companhia de um grupo heterogêneo de aliados: Milva (Meng’er Zhang), arqueira certeira; Zoltan (Danny Woodburn), anão leal; e Regis (Laurence Fishburne), um barbeiro-cirurgião enigmático que depois se revela um vampiro superior, tornando-se curador e mentor do bruxo. Enquanto isso, Yennefer trava uma disputa com Vilgefortz (Mahesh Jadu) pelo controle da magia do Continente. E Ciri, agora vivendo sob o nome Falka, encontra nos Ratos, uma gangue de jovens ladrões, uma nova família, com pertencimento e um gostinho de liberdade à sua espera. Três caminhos diferentes, um só destino, cada um chegando ao seu ponto de virada no fim da temporada 4. É hora de entender tudo.

Na temporada 4, não somos só nós que acompanhamos as aventuras de Geralt, Ciri e Yennefer. Dentro do próprio mundo de The Witcher, alguém também conta essa história: o narrador Pogwizd (Clive Russell). Tudo começa com Geralt enfrentando uma quiquimora gigante, a mesma criatura da luta de abertura da temporada 1. Só que, dessa vez, é Pogwizd quem narra a cena, contando a história do Carniceiro de Blaviken para um grupo de crianças. Até que Nimue (Eve Ridley), uma garota atenta, percebe um erro na história. Pogwizd então explica: já se passaram 100 anos desde que tudo aquilo realmente aconteceu.
Cem anos se passam e é Nimue quem dá continuidade à história. Apaixonada pelas histórias de Meio Século de Poesia, de Jaskier (Joey Batey), ela resume tudo o que aconteceu em The Witcher até ali, incluindo a parte mais dolorosa: a separação do trio no fim da temporada 3. Nimue conta a Pogwizd: “A Ciri desapareceu. Ela se culpou por tudo que aconteceu. Ela dizia para si que sua família estava melhor sem ela, que esse capítulo dela tinha acabado. Mas não é verdade.”
Apesar da separação na vida de Geralt, Ciri e Yennefer, Nimue revela que sabe que a história de Ciri está só começando, porque algo ilustrado no livro ainda não aconteceu. Apontando para um desenho com a legenda “Cirilla e a Senhora do Lago”, ela diz: “Sabe que a Ciri é importante para mim. A saga inteira é. Mas, lendo isso, eu acho que também posso ser importante. Acho que essa sou eu.” Depois de ouvir isso, Pogwizd revela que há outra parte fundamental da história que Nimue pulou. Para nos colocar direto na trama que vai se desenrolar nesta temporada, ele então lê: “E quando tudo já parecia perdido, Geralt ergueu-se de novo.”
Anos se passam até reencontrarmos Pogwizd e Nimue, já no episódio 8. Ele segue encantando crianças com as histórias do bruxo, mas a Nimue adulta (Sha Dessi) está de partida para estudar em Aretusa, sem nunca deixar de sentir uma ligação com Ciri. É quando Pogwizd entrega seu próprio exemplar de Meio Século de Poesia e diz: “As histórias são muito poderosas. Elas nos mudam. E nós, apesar disso, mudamos elas também.” E completa, num aviso que soa como profecia: “O desfecho dessa saga pode depender de você”, deixando no ar uma pista sobre o futuro de Nimue na série.

No episódio 5, um flashback mostra o lado mais íntimo da busca de Geralt por Ciri. É em Kaer Morhen, onde os dois viveram na temporada 2, que ele revela um sonho antigo: quando menino, queria ser cavaleiro. Segundo Lauren, “muita gente não sabe que Geralt de Rívia, como ele sempre se apresentou, não é uma honraria oficial. É um nome que ele mesmo inventou para conseguir mais contratos quando era um bruxo jovem, e achava que soava mais sério.” Três episódios depois, esse sonho de infância vira realidade.
Depois da batalha da ponte, a rainha Meve (Rebecca Hanssen) recompensa a bravura de Geralt contra o exército nilfgaardiano com um título de cavaleiro, mas a honra e a responsabilidade pesam mais do que se imagina. Lauren explica: “Parece que deveria ser o final feliz perfeito, tudo que ele sempre sonhou, mas a verdade é que os sonhos dele mudaram. É emocionante para ele receber esse título, mas hoje seus sonhos giram em torno de Yen, Ciri e encontrar a própria família.” O problema é que o novo título pode obrigar Geralt a servir à coroa.

Vilgefortz vira uma ameaça cada vez maior na temporada 4 ao assumir o controle dos portais, usados pelos magos para viajar pelo tempo e pelo espaço. Fringilla (Mimî M. Khayisa) está infiltrada entre os magos renegados do Castelo de Stygga. Istredd (Royce Pierreson) tem seu conhecimento mágico explorado por Vilgefortz para bloquear os portais. Juntos, os dois trabalham para reverter esse controle na batalha de Montecalvo, no episódio 6. Como agente dupla agindo de dentro das fileiras de Vilgefortz, Fringilla é peça central na resistência dos magos, mesmo correndo risco de vida.
“Uma das principais funções da Fringilla nesta temporada é manter os portais abertos. Como ela e Istredd estão em território de Vilgefortz, eles precisam agir juntos nessa missão. Somos tecnicamente mais fracos que Vilgefortz, então é uma questão de encontrar um jeito de vencer”, explica Mimî. Istredd se oferece em sacrifício, recita um feitiço pouco conhecido do livro dos monólitos e destrói a sala de portais de Vilgefortz, consumindo a própria força vital no processo.
Na batalha contra Vilgefortz e o cerco aos portais, os magos se unem por um objetivo comum, e Yennefer assume a liderança do grupo. “A batalha de Montecalvo serviu a vários propósitos importantes para a nossa história, mas o principal foi o renascimento da estrutura dos magos no nosso mundo”, diz Lauren. Com os portais restaurados, Yennefer viaja até Nilfgaard, onde acredita que a filha está em poder de Emhyr (Bart Edwards). Ao chegar, porém, descobre que a “Ciri” ali é, na verdade, Teryn: uma maga novata transformada por Vilgefortz em um chamariz vivo, o que complica ainda mais a busca pela verdadeira Ciri.
Depois dessa descoberta, e de um reencontro breve, porém muito romântico, com Geralt, Yennefer volta a Montecalvo. Lá, ela constata que o único caminho a seguir é reconstruir a união entre os magos. “Mesmo na sua concepção, a Irmandade era um exército contraditório e que militarizava o poder dado ao nosso deus para servir a seus propósitos, nutrindo ódio e desconfiança para com quem fosse diferente, nos empurrando para alianças reais e nos colocando umas contra as outras. Mas, no decorrer das semanas, nós, as mulheres nesse recinto, conseguimos combinar nossa magia, nossos métodos e tornar aliados antigos inimigos, porque tínhamos o mesmo objetivo: proteger a magia do controle do Vilgefortz”, ela diz a Filippa, Fringilla, Francesca, Sabrina e Triss.

Com os planos da “Loja das Feiticeiras” em andamento, Yennefer retoma a caçada urgente a Vilgefortz. O produtor executivo Tomasz Bagiński resume o dilema: “Para a Yennefer, é uma escolha bem interessante. O que é mais importante para ela: a magia e as amigas, a Loja, as pessoas que confiaram nela para proteger a magia deste Continente, ou a Ciri, que também virou alvo de Vilgefortz?” No fim, Ciri vence como prioridade máxima. Mas Yennefer só parte para protegê-la depois que suas aliadas garantem um lar seguro para todas.
“O que a Yen está fazendo é tornar o mundo seguro para a volta de Ciri. Ela tem um único foco: tirar Vilgefortz deste Continente. Ela sabe que ele é um perigo enorme para Ciri. Mas não consegue vencer essa missão sozinha”, explica Lauren. No final da temporada, Yennefer recorre a Triss. Pede que ela use o sangue seco na adaga de Vesemir, somado à sua magia élfica, para localizar um Vilgefortz enfraquecido, que Yennefer acredita conseguir matar. Alarmada, Triss avisa: “Mesmo que passe pela matrix de portais dele, vai acabar em algum lugar que ele conhece bem, e você não.” Depois de muita insistência, Yennefer convence Triss, que profere um encantamento e abre um portal sombrio. Yennefer atravessa e é transportada para o meio do mar tempestuoso, onde é sugada por um redemoinho violento. Essa é a última vez que vemos Yennefer nesta temporada.

A captura de Ciri é parte de um plano nilfgaardiano maior. O imperador Emhyr, seu pai biológico, quer casar com ela para cumprir uma profecia antiga e conquistar o Continente. Ele manda seu agente Stefan Skellen (James Purefoy) contratar Leo Bonhart (Sharlto Copley), sabendo que só alguém tão implacável quanto ele teria sucesso onde outros falharam. Bonhart atrai Ciri de volta a Ciúme ao armar uma emboscada para os Ratos. Incapaz de salvá-los, Ciri é forçada a assistir enquanto Bonhart mata o grupo das formas mais brutais possíveis, incluindo esfaqueamento, cortes e decapitação. Cada morte é planejada para atormentar Ciri psicologicamente, inclusive a de Mistle (Christelle Elwin), seu interesse romântico nesta temporada.
Segundo Sharlto, seu personagem submete Ciri a essa brutalidade como um teste. “Ele quer ver se ela tem estômago para ser a lutadora que ele acredita que ela pode ser. Ele vê nela um espírito semelhante ao seu e fica empolgado com o talento dela, por isso não a mata. Normalmente, ele só se empolga com luta e morte, mas Ciri é diferente: ela é teste e um desafio”, explica o ator.
Na temporada 4, Ciri descobre e passa a abraçar um lado de si mesma que ainda não conhecia. Tomasz resume: “A história dela é bem clássica de amadurecimento. Quando crescemos, precisamos descobrir quem somos, o que também significa encarar nosso lado sombrio, reconhecer a escuridão que existe dentro de nós, porque toda pessoa é capaz do bem e do mal.” Para Freya, essa leitura faz todo sentido. “O que Falka representa é essa escuridão... Existe uma parte dela que se agarra a isso para fugir da dor que carrega. Na temporada 3, ela tinha uma versão bem idealizada do que queria se tornar, muito centrada na bondade. Essa parte não desapareceu; acho que ainda é parte essencial de quem Ciri é, mas agora ela também está descobrindo esse outro lado”, explica a atriz.
Sim, mas não na temporada 4. É em Os Ratos: Uma História de The Witcher que descobrimos como Bonhart passou a perseguir o grupo. A trama se passa pouco antes de os Ratos cruzarem o caminho de Ciri, no fim da temporada 3. Ele termina com uma narração de Bonhart, já depois de ter matado os Ratos na temporada 4, contando a história para sua prisioneira, Ciri. “E foi assim que os Ratos sobreviveram ao próprio esplendor por tempo suficiente para se juntar a você. Mas, como você já sabe, Falka, no final, eu sempre venço”, ele diz. O especial já está disponível, só na Netflix.
Para Sharlto, Bonhart identifica em Ciri um “potencial para a violência” que pretende usar a seu favor. Resta saber, porém, se a poderosa Leoazinha de Cintra, cujo destino está entrelaçado ao de tanta gente, vai deixar isso acontecer.
Não perca o próximo capítulo dessa saga. As quatro temporadas de The Witcher já estão disponíveis, só na Netflix.





















































































